domingo, 6 de janeiro de 2013

3° DIA – SAN SALVADOR DE JUJUY – S.P. DE ATACAMA (VISÃO JULIANO)


Saímos às 8:30 h de Jujuy, uma cidade menos interessante que a vizinha Salta, mas melhor e maior do que eu imaginava. Várias opções de bares e restaurantes na região central, próximo ao nosso hotel. Jantamos muito bem, comendo um prato local, o salteado de cordero.  
Viajamos juntos com os “Paulistas do Asfalto” (Nei, Valtinho e Ferrari) por um bom tempo, enquanto as paradas comuns para fotos permitiram. O trajeto até San Pedro é muito bonito, desde os primeiros quilômetros. Paisagens que impressionam, mesmo a quem já passou por lá antes. Purmamarca, no caminho, é muito bonita. Em seguida, a Cuesta de Lipan, uma sequência de curvas em uma ascensão de quase 2000 metros, que nos leva a 4.170 metros, é um dos pontos altos do trajeto – em todos os sentidos. Ali não senti o efeito da altitude, mas na travessia da Cordilheira, já com mais de 4.800 m, senti uma dor de cabeça grande, que só competia com o frio, que chegou a 13°C. Na moto, a 120 km/h, isto parece bem menos.
Abastecemos em Jujuy, Susques (por garantia) e na fronteira, em um YPF com cara de novo. O posto de Susques na estrada não tinha combustível, então fomos no da “cidade”. Procedimentos tranquilos na fronteira Argentina em Jama e burocráticos e precários em San Pedro, mas sem nenhum problema.
Mais fotos do que o normal abaixo, porque o lugar realmente merece.

DADOS DA VIAGEM:
05/01/2013
Partida:  8:30h
Chegada:  17:20h
Distância: 479 km
Consumo médio: 15 km/l
Temperatura Mínima/Máxima: 13/33°C (Saída de Jujuy com 22 °C e chegada em San Pedro com 33°C)
Trajeto: R 9, 52, Fronteira, CH 27
Hospedagem: Hotel Tambillo – Avaliação/Preço: bom (para o padrão San Pedro) (reserva por email - reservas@hoteltambillo.cl)

Amanhecer em Jujuy



Ruy, Nei, Ferrari, Juliano e Valtinho

K 1300 GT Hardcore
Ruy I
Paparazzi









Salinas Grandes




Ruy: "Acho que é pra lá!"



 
Cuesta de Lipan
 




A Etapa Argentina - Visão RS

Estamos aproveitando um dia de descanso em San Pedro de Atacama. É um vilarejo no meio do deserto que atrai pessoas de inúmeros países. Esta é a terceira vez que passo por aqui e sempre fico curioso pensando nos segredos deste lugar que o torna tão famoso. É claro que existem lugares maravilhosos na região como os geisers, lagoas altiplanas, etc. mas o local em si até parece uma cidadezinha empoierada do velho oeste americano, pelo menos nas versões que Hollywood nos mostra. 

Quero falar ( escrever ! ) um pouco sobre os 3 primeiros dias, a saber :

Dia 1: Francisco Beltrão - Corrientes
Dia 2: Corrientes - San Salvador de Jujuy
Dia 3: S.S. Jujuy - San Pedro de Atacama

Saímos de Beltrão antes do sol aparecer, e a chatice de acordar as 5 da manhã foi compensadíssima com as imagens do início de mais um dia, graças à Deus. Fomos acompanhados pelo Kelvi e "seu" Bruno até a fronteira. Os detalhes dos cuidados legais com relação à Receita Federal já foram comentados pelo Juliano.

Os dois primeiros dias foram muito cansativos ( 1600 km ). Quem sabe um começo de jornada mais leve tivesse sido mais apropriado para gradativamente ir acostumando nossos corpos, mentes e espíritos com a mudança total das nossas rotinas diárias.

Eu gosto da Argentina e dos argentinos ( sério ). Fico com pena em ver as dificuldades que têm passado nas últimas décadas. É um país tão grande e tão rico e que não merecia os governos que tem passado por lá. A comida é excelente, a cerveja deliciosa ( Quilmes bien fria ) , estradas em geral muito bem conservadas, sem pedágio para as motos, vistas inesquecíveis, enfim um grande lugar para viajar.

Passamos por inúmeros postos policiais. Fomos parados somente no primeiro e mesmo assim o único pedido foi um adesivo da nossa viagem ! Infelizmente diversas pessoas que encontramos pelo caminho não tiveram a mesma "sorte". Alguns policiais do regimento FDP de Corrientes armaram uma "arapuca", num dos acessos à ponte que liga Corrientes a Resistência, e pegaram todos os brasileiros que por lá passavam. As desculpas são as mais ridículas possíveis. Para as motos era o argumento que aquela "faixa" era exclusiva para veículos. A multa de 1.100 pesos teria que ser paga no banco X, que só iria abrir depois do meio dia, etc. Claro que a moto e os documentos seriam confiscados. Preço para resolver na hora : 100 REAIS ! Para os carros a explicação é ainda mais estapafúrdia : O GPS ( dentro do carro ) estava ligado !!! Existe uma lei em Corrientes (sic) que proíbe o uso de GPS . Neste caso o pedágio é mais caro : 150 DÓLARES foi o preço cobrado dos nossos amigos de Chapecó. Acho que um dos jornais de Corrientes poderia fazer um artigo sobre este tema. Enfim ....

CONVERSA TÉCNICA

A partir de hoje irei explorar dois departamentos neste blog, " Dicas " ( já iniciado ) e MEP.
Uma das coisas interessantes que aprendi quando estudei no Japão foi o "Manual de erros do passado", daqui por diante chamado de "MEP". O racional é o seguinte : Ninguém erra por que quer ( há exceções ). Existem causas que, se identificadas, poderão ser eliminadas para que o erro não ocorra novamente. Assim, um novo funcionário da empresa tem por obrigação conhecer profundamente o MEP com o argumento de que "sim pode errar", desde que seja um erro novo. Não repetiremos erros já conhecidos.... Toda esta conversa para apresentar o MEP #01 da nossa excursão.

MEP #01 : Todos os equipamentos VITAIS tem que ser estudados e verificados quanto ao seu funcionamento e operacionalidade antes de iniciar a jornada.

O que ocorreu : Estamos com 2 equipamentos de GPS. Foram utilizados sem problemas dentro do Brasil. Fora do Brasil : NEGATIVO. Imagino nosso amigo Lauro Vianna no centro de uma grande cidade na Europa ou nos Estados Unidos com um GPS sem os mapas do local .... Imagino o Fabio Judice no comando do seu 777 perceber que ao sair do espaço aéreo brasileiro, o GPS funciona mas os mapas não estão lá .... 

O Juliano levou nossos equipamentos para serem "carregados" com os mapas dos países que vamos passar. Algo aconteceu e estamos sem os mapas dentro dos nossos GPS's...
Na estrada até que não é tão vital pois o GPS está funcionando e é possível saber a direção que estamos nos deslocando. Como o GPS "desenha" o caminho percorrido, e como temos sobre o tanque um mapa tradicional de papel ( redundância ), fica fácil navegar. Já nas grandes cidades é um inferno tentar achar um endereço de hotel por exemplo. Como o Juliano é um excelente "conversador" ( advogado de causas impossíveis ) e não tem nenhum constrangimento em pedir informações, temos nos virado com sucesso, naturalmente às custas de grande perda de tempo. 

Assumo a responsabilidade por não ter verificado em detalhes a compatibilidade dos aparelhos GPS com os softwares carregados ... Errei sim, mas este nunca mais, já está registrado no MEP.

E para encerrar : Meu GPS antigo, companheiro de inúmeras viagens, carregado com todos os mapas necessários foi deixado de lado no último minuto. Achei que não seria necessário e não trouxe comigo .... Acho que foi uma "praga" do mesmo por ter sido deixado de lado. Pois é, essas trocas do velho pelo novo nem sempre são boas !

DICA #02 : Não saia de casa sem WD40 .

O que ocorreu: Resolvemos 2 "panes" de equipamento graças ao dito cujo. A GS do Juliano ficou sem buzina e a minha moto sem o acelerador automático ( que mantém a velocidade constante ). Graças  a sugestão do Fernando Kmiecik resolvemos facilmente os problemas com WD40.

EPÍLOGO

Eu sei que esta postagem ficou longa e muito técnica. Mas para mim é importante este registro. Quem sabe possa ser útil a outros viajantes.
Prometo que serei menos "chato" da próxima vez.

Por enquanto a seção de amenidades fica com o JR, flagrado em um de seus devaneios
soníferos no meio do deserto ....








sábado, 5 de janeiro de 2013

2° DIA – CORRIENTES - SAN SALVADOR DE JUJUY (VISÃO JULIANO)


O Ruy desistiu do blog. Deu a entender que está viajando demais, anda muito cansado. Vou aproveitar o descuido pra tentar superar a quantidade de postagens, sobre todos os temas, que ele fez antes da viagem.

Saímos pontualmente atrasados às 8 da manhã. Calor já na saída, que só aumentou no caminho. Sem problemas com a polícia, embora tenhamos encontrado outros brasileiros que não receberam o mesmo tratamento que nós. A Ruta 16 tem trechos muito bons, mas o que fica mesmo é a lembrança das partes com buracos enormes e animais na pista. Vaca, cavalo, cabra, porco, todos criados com a pastagem da beira da estrada. A falta de combustível em vários postos também chama a atenção para a situação de (permanente) dificuldade econômica da Argentina, mas nos incomoda minimamente. Dia cansativo, mas necessário para chegarmos rápido ao Atacama.

DADOS DA VIAGEM:
04/01/2013
Partida: 8h
Chegada: 21:20h
Distância: 864 km
Consumo médio: 13 km/l
Temperatura Mínima/Máxima: 28/38°C
Trajeto: R 16, 34, 66
Hospedagem: Posada El Arribo – Avaliação: Muito bom / Preço: bom (reserva booking.com)

Ponte sobre o Rio Paraná

Girassóis no Chaco Argentino

Interminável Ruta 16

Chegada no hotel , juntamente com os paulistas Nei, Valtinho e Ferrari

Amante de motos


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

1° DIA – F. BELTRÃO – CORRIENTES (VISÃO JULIANO)


Devido a uma pequena dose de ansiedade, combinado com o filet mignon servido próximo das 22 horas, consegui dormir lá pelas 2:30 da madrugada, para acordar antes do despertador tocar, perto das 4:40. Pouco sono significou muito cansaço no primeiro dia. Saímos cedo de Beltrão e chegamos na Fronteira Brasil-Argentina, em Dionísio Cerqueira-SC, às 7:10. Já preparados para o pior, mas nem tanto, já que eu estava mais do que confiante que estávamos fazendo tudo do jeito mais correto (já tínhamos conversado pessoalmente e por telefone com os Auditores Fiscais de Curitiba e de Dionísio, dentre outros), gastamos 1:30h na Receita Federal para fazer nossa Declaração de Exportação Temporária das motos (que já havíamos levado pronta mas teve que ser refeita), algo que a maioria das pessoas que sai do país não faz, pois geralmente voltam pelo mesmo meio, ou seja, terrestre, rodando com o veículo. Quando isto não ocorre, a DSE é o único instrumento para que se possa trazer as motos de volta ao país sem maiores problemas – os quais, aparentemente, sempre existirão, em função da falta de uma verdadeira padronização de procedimentos pela Administração Pública Federal. Relatos de vários motociclistas nos fizeram ver a importância de estudar a legislação sobre o tema, inclusive com a contratação de empresa especializada nao tema, a Brazilian Trade, com o objetivo de evitar problemas no retorno das motos ao Brasil.

Superado este entrave burocrático, rodamos tranquilamente pela Argentina, com várias paradas em postos policiais, sem que ocorresse qualquer tentativa de se causar “embaraço” aos viajantes. Muito calor e velocidade inicialmente baixa fez com que chegássemos em Corrientes às 21:10, no horário de Brasília, já que aqui ainda era 20:10.

DADOS DA VIAGEM:

03/01/2013
Partida: 6:15h
Chegada: 21:10h
Distância: 735 km
Consumo médio: 15 km/l
Temperatura Mínima/Máxima: 15/35°C
Trajeto: BR 280 até Dionisio Cerqueira, R 17 a Eldorado, R 12 a Corrientes;

Saída de Beltrão

Receita Federal na Fronteira

Kelvi e Sr. Bruno emocionados na Fronteira

Costanera em Posadas

Descanso em gramado ao lado de um YPF

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Minha pequena reflexão

Amanhã começo de verdade a jornada de 13.000 km do Brasil aos EUA. Não é um evento impossível ou inédito, “mas poucos o fazem”, como ensinam os Fazedores de Chuva. Para mim é parte de um desejo muito grande, que une motociclismo, novas (e distantes) experiências e, sem dúvida, a ideia de um desafio. E tudo somente está acontecendo porque tenho muita sorte em ter o apoio da minha esposa, dos meus filhos, da minha família, dos meus sócios, dos meus amigos. Talvez nem todos estejam adorando a ideia – e sei que não estão - e uma ausência destas não seja algo para ser comemorado – a não ser pelo cunhado -, mas apenas por causa deste apoio é que não tenho receio algum em estar fazendo o que eu gosto, e que só não é perfeito porque não posso levar junto aqueles que mais amo.

Pra não ficar só na conversa, duas fotos do jantar de despedida de hoje, já com a presença do Ruy, que pôde frequentar o delicioso Edi’s (o nome ainda não é este), da chef Edilaine Vieira Pecoits, cuja cozinha mais do que justifica a viagem a Francisco Beltrão.
Ruy, Juliano e grande elenco no Edi's

Ruy e Juliano com a Chef Edi

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Chuva é sempre um bom começo

Não é a primeira vez que inicio uma jornada com chuva - sempre me trouxe boa sorte. Durante grande parte de minha vida de "copeliano" e professor da UFPR, tive uma relação muito legal com a água, afinal a matéria prima das usinas da Copel é ÁGUA, que vem das chuvas. Fui Professor de Hidrologia, Hidráulica, Barragens, Usina Hidrelétricas e outras disciplinas afins lá na escola de engenharia. Ou seja, a água sempre foi uma grande parceira.

E hoje não foi diferente .... é claro que a velocidade tem que ser bem menor do que com a pista seca e as curvas devem ser vistas com muito mais respeito, mas também tem suas vantagens como a temperatura por exemplo. Os cavalinhos do motor preferem trabalhar com 17º C de temperatura externa do que com 40º C ! De certa forma a viagem fica até mais confortável.

É indispensável entretanto ter o equipamento apropriado : roupas 100 % impermeáveis, capacete de 1a., bons pneus, etc. Hoje vi um motoqueiro a caminho de FOZ viajando de calça jeans, tenis, sem luvas e jaqueta leve de nylon ( no meio da chuva ....).

Enfim, foi um ótimo inicio - cheguei em Francisco Beltrão no meio da tarde, reencontrei meu amigo Juliano, e amanhã bem cedo estaremos na estrada rumo a "Corrientes".

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Livros

Mesmo com as facilidades da Internet, nada como um bom livro para te acompanhar durante o trajeto. Naturalmente, a viagem de moto tem limitações de espaço e peso. O Juliano está levando " Uma breve história do Cristianismo " de Geoffrey Blainey - e o Ruy " The Classics - All you need to know, from Zeus's Throne to the fall of Rome ". Apesar das incríveis inovações na tecnologia, o "ser humano" continua basicamente o mesmo e o estudo da história é muito interessante e gratificante.

É claro que durante a viagem iremos observar, interagir e aprender muito com nossos companheiros de jornada. Em 1995, escrevi um conto chamado "A viagem das mil luas" em homenagem aos formandos de Engenharia Civil da UFPR. Com muito orgulho fui o paraninfo da turma e "A Viagem" foi o discurso que preparei. Você poderá "baixar" este conto no endereço abaixo. 

http://www.sendspace.com/pro/ds1f9e

Citando MURIEL RUKEYSER,

"The universe is made of stories, not of atoms" ....